Do PPG à universidade: estudantes do Solar apresentam projeto científico na UFRJ
Trabalho desenvolvido no projeto Elas Fazem Ciência no PPG integra a 15ª Semana de Integração Acadêmica da UFRJ, maior evento de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade
Perguntas que nasceram dentro da escola e partiram da realidade do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo chegam, nesta quarta-feira (7), à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estudantes do Solar Meninos de Luz participam da 15ª Semana de Integração Acadêmica (SIAc) com o trabalho “Experiências de estudantes do Ensino Fundamental e Médio no projeto Elas Fazem Ciência no Pavão, Pavãozinho e Cantagalo (PPG)”.
A apresentação acontece no Instituto de Geociências da UFRJ e representa uma etapa importante de uma experiência que aproxima educação básica, pesquisa científica, universidade e território.
A SIAc acontece entre 5 e 9 de outubro e é considerada pela UFRJ seu maior evento de Ensino, Pesquisa e Extensão. Em 2026, mais de 7 mil apresentações fazem parte da programação, reunindo trabalhos de iniciação científica, tecnológica, artística e cultural, iniciação à docência e extensão. Participam estudantes de diferentes níveis de formação, professores, técnicos e pesquisadores, além de instituições da educação básica e público externo.
Quando o território se transforma em objeto de investigação
No Elas Fazem Ciência no PPG, as estudantes do Solar foram estimuladas a olhar para questões presentes no próprio território a partir da perspectiva da investigação científica.
Água, resíduos, calor urbano, consumo e sustentabilidade deixaram de ser apenas temas discutidos em sala de aula para se transformar em perguntas, observação e pesquisa.
Ao longo do projeto, as estudantes também tiveram contato com espaços de pesquisa da UFRJ, ampliando a experiência para além dos limites da escola e aproximando-as do ambiente universitário.
O trabalho desenvolvido contou com a orientação da pesquisadora de pós-doutorado Lohrene de Lima, em parceria com o projeto de extensão Meninas na Química, da UFRJ.
Essa aproximação traduz justamente uma das funções da extensão universitária: criar pontes entre o conhecimento produzido dentro da universidade e a sociedade. A própria SIAc foi estruturada para integrar ensino, pesquisa e extensão e promover a troca entre estudantes da educação básica, universitários e pesquisadores.
Ciência que começa com uma pergunta
Para o Solar, a participação na SIAc ganha significado: mais do que apresentar os resultados de uma atividade escolar, elas passam a ocupar um espaço de produção e circulação do conhecimento, apresentando uma experiência construída a partir do lugar onde vivem.
Quando uma estudante aprende a observar um problema de seu território, formular perguntas, buscar evidências, organizar informações e compartilhar suas conclusões, a ciência deixa de parecer algo distante, restrito a laboratórios ou a pessoas que já chegaram à universidade. Ela passa a ser uma possibilidade.
E essa experiência pode ter um impacto especialmente importante para meninas e jovens que começam a reconhecer a universidade e as carreiras científicas como espaços que também podem ser ocupados por elas.
Da escola para a UFRJ
A apresentação na SIAc completa, portanto, um percurso particularmente simbólico: o conhecimento parte do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, é investigado pelas próprias estudantes e chega à universidade para ser compartilhado com a comunidade acadêmica.
A SIAc foi criada justamente como espaço de encontro entre diferentes formas de produção de conhecimento. Nesta edição, integra a Jornada de Iniciação Científica, Tecnológica, Artística e Cultural (JICTAC), o Congresso de Extensão, a Jornada de Pesquisa e Extensão da UFRJ-Macaé e a Jornada de Formação Docente – PIBID.
Para as estudantes do Solar, porém, existe uma conquista que nenhum número consegue traduzir completamente: entrar em uma das maiores universidades públicas do país não apenas para conhecer, mas para apresentar aquilo que elas próprias ajudaram a investigar e construir.
É assim que a ciência se aproxima e novos futuros começam a parecer possíveis.






